
Calçara meus sapatos rumo a rotina de minha história, confusa, cheia de mistérios que beiram um precipício sombrio, e quanto aos meus passos, se vacilassem um milímetro, cairiam à morte. Percorro por um aprimoramento da sabedoria, esta, suga desejos pelo aprendizado absoluto, difícil de alcançar, mas possível de se chegar. Repressões alheias perturbam minha alma num desgaste constante de satisfação, o porquê não sei, apenas sinto certa opressão. Com os pés calçados, saio de casa em direção a vitória tanto almejada, ela grita todos os dias dentro dos meus tímpanos, ansiando um glorioso êxito. Sentidos transmutam pensamentos inclusos encontrados em meu cérebro, surgidos através de reflexos de querer, raios de poder. Fora de casa, tudo muda, a proteção se sensibiliza pelas ocorrências de seres malfeitores, de casos injustos, situações daqueles perdidos, abandonados. Meus sentimentos acabam por abalar todas as províncias de um abismo situado nas profundezas de minha alma, incomensurável no vórtice da consciência. Buscando o real pela guia intuitiva, meus sapatos gastam-se nos atos tomados e fatos freados, inexplicáveis por palavras, mas totalmente oprimidos pela violenta razão surgida à tona como trovão que estremece o chão. Casos, coisas, sonhos, quimeras, fantasiam realidade irreal, ocasionando tropeços em meus passos, impulsionando-me na Era de martírios criada pelo meu ser inocente, indolente. Volto para casa, tiro meus sapatos, jogo-os no reciclável para que possa ser levado todos os maus elementos presos a ele. Recomeço no dia seguinte com novos sapatos, novas idas, novos relatos de minha vida!